terça-feira, 3 de março de 2009
















Nossa,

Já faz muito tempo que não escrevo aqui. Mas também não está tendo assim tanto movimento não é mesmo?.
Acho que nem todo mundo, ou quase ninguém, se interessa tanto pelo assunto de Álvares de Azevedo quanto eu.
Mas mesmo assim aí vai mais um poema, não meu, mas dele...afinal, esse blog foi criado inspirado nele não?!
Apesar de triste, muito triste, esse poema é belo, é ímpar, é surreal...aproveitem bem a leitura.

bjs e aí vai

Lembrança de Morrer

Quando em meu peito rebentar-se a fibra, 
Que o espírito enlaça à dor vivente, 
Não derramem por mim nenhuma lágrima 
Em pálpebra demente. 

E nem desfolhem na matéria impura 
A flor do vale que adormece ao vento: 
Não quero que uma nota de alegria 
Se cale por meu triste passamento. 

Eu deixo a vida como deixa o tédio 
Do deserto, o poento caminheiro, 
– Como as horas de um longo pesadelo 
Que se desfaz ao dobre de um sineiro; 

Como o desterro de minh’alma errante, 
Onde fogo insensato a consumia: 
Só levo uma saudade – é desses tempos 
Que amorosa ilusão embelecia. 

Só levo uma saudade – é dessas sombras 
Que eu sentia velar nas noites minhas… 
De ti, ó minha mãe, pobre coitada, 
Que por minha tristeza te definhas! 

De meu pai… de meus únicos amigos, 
Pouco - bem poucos – e que não zombavam 
Quando, em noites de febre endoudecido, 
Minhas pálidas crenças duvidavam. 

Se uma lágrima as pálpebras me inunda, 
Se um suspiro nos seios treme ainda, 
É pela virgem que sonhei… que nunca 
Aos lábios me encostou a face linda! 

Só tu à mocidade sonhadora 
Do pálido poeta deste flores… 
Se viveu, foi por ti! e de esperança 
De na vida gozar de teus amores. 

Beijarei a verdade santa e nua, 
Verei cristalizar-se o sonho amigo… 
Ó minha virgem dos errantes sonhos, 
Filha do céu, eu vou amar contigo! 

Descansem o meu leito solitário 
Na floresta dos homens esquecida, 
À sombra de uma cruz, e escrevam nela: 
Foi poeta - sonhou - e amou na vida. 

Sombras do vale, noites da montanha 
Que minha alma cantou e amava tanto, 
Protegei o meu corpo abandonado, 
E no silêncio derramai-lhe canto! 

Mas quando preludia ave d’aurora 
E quando à meia-noite o céu repousa, 
Arvoredos do bosque, abri os ramos… 
Deixai a lua pratear-me a lousa!



5 comentários:

disse...

Oi Marcia, amei seu blog,
achei muito sensivel sua atitude de homenagear nosso eterno Alvarez, bjs

Minhas Poesias disse...

Oh...obrigada Jô...

Muito legal vc agora também fazer parte do meu blog e poder participar junto comigo dessa empreitada.

Abçs

DeAdBiGeYeFiSh disse...

Muito bom!!!
Eu gosto bastante desses poemas...
Mas tenho um gosto particular, que tem coisas em comum com esses, pessimismo, individualismo, etc...
Mas os meus são mais pessimistas ainda... Assim que gosto...
Me motivei a fazer um blog agora mesmo para postá-los!
Queria que não parasse com seu blog! eu gostei! XD
Abraços moça...

Minhas Poesias disse...

Olá "Dead",
Pois então, que bom que gostamos do mesmo estilo de poesia, também adoro esses tipos de poesia "mal-do-século", melancólicas, onde viajamos no pensamento do autor tentando adivinhar o que se passou na cabeça dele no momento de inspiração.
Obrigada pela sua vista e volte sempre!!!!
Abraços

Anônimo disse...

Realmente belo.
Fico feliz pela imortalidade da poesia.

Talvez possa ser de algo útil este blog:

http://aradiadeoutono.blogspot.com.br/